Nossa farra no Chile havia chegado ao fim e era preciso voar novamente (PQP!) até Buenos Aires, onde daríamos seguimento ao nosso passeio internacional. Nosso vôo para a Argentina estava programado para as 10h e pouquinho da manhã, o que nos obrigava a sair cedo do hotel. Desde o primeiro dia no Chile eu havia visto uma lojinha da Starbucks na rua do hotel. Cheio de vontade de experimentar essa parada, revelei para a namorada que o café-da-manhã no nosso último dia de Chile seria lá. Mas não rolou…
Quer saber o motivo? Então leia!
Não rolou simplesmente pq chegamos 05 (cinco) minutos antes das 7h e a loja ainda estava fechada, apesar do papo animadíssimo que rolava lá dentro entre os funcionários. Perguntamos se demoraria a abrir e resolvemos esperar. Deu 7h e nada. Deu 7h02 e nada. Eu fiquei puto e fui embora com a namorada para tomar o café-da-manhã no hotel. Meu pai sempre foi dono de bar e nunca deixou de vender um copo de café só pq ainda não era hora de abrir. Mas é aí que está a diferença: meu pai era dono da parada. Quando você deixa a gestão do seu negócio – em qualquer nível que seja, estratégico ou operacional – na mão de empregados, você SEMPRE perde $$. Ou você acha que o empregado tá interessado em faturar R$ 1,50 a mais sabendo que o salário dele não vai mudar por causa disso? Não se iluda, o único que “veste a camisa da empresa” é o dono.
Mas enfim, tomamos o café-da-manhã de sempre no hotel e, pontualmente, às 7h20, lá estava o pessoal da agência que nos levaria ao aeroporto de Santiago, que é infinitas vezes mais bonito do que o Galeão. Aliás, a comparação, na verdade, nem é cabível. Você só pode dizer que uma coisa é mais bonita que a outra quando as duas paradas são bonitas. Não é o caso. O Galeão é uma das coisas mais feias que o ser humano já foi capaz de fazer. Você entra no Rio de Janeiro pela porta dos fundos, depois de ter subido pelo elevador de serviço…
Nosso vôo acabou atrasando 40 (quarenta) minutos, o que nos deixou com tempo suficiente para passear pelo local. Grandes merdas! Com aquele free shop caro prá caralho, não tinha nem graça ficar olhando as coisas por lá e as lojinhas não eram lá grande coisa, exceto a loja temática do Chile, que era muito maneira! E, pasmem, nem era tão cara assim, apesar de se localizar na área de embarque de um aeroporto internacional. Fosse eu um milionário, a namorada teria ficado desesperada com a quantidade de coisas compradas, mas como não sou, não comprei porra nenhuma.
Apesar de ter plena consciência de que, em alguns instantes, estaria sobrevoando o mundo em uma altura sinistra prá caralho, eu estava relativamente tranqüilo. Mas toda essa tranqüilidade foi para o cacete quando eu vi o avião das Aerolineas Argentinas. Avião porra nenhuma, aquilo era um pau-de-arara aéreo! Era sério que uma porrinha um pouco maior que o meu carro iria nos levar até Buenos Aires? Pois é, mais 1h45 de perrengue pela frente…
E como tremia aquela porra! Imaginem vocês: Aerolineas Argentinas + pau-de-arara aéreo + Cordilheira dos Andes + receio (não medo) de avião… Só uma coisa era maior que a minha tensão: a escrotice das aeromoças da companhia! Sério, as mulheres se acham! Super antipáticas e grosseiras, elas agiam como se tudo ali fosse um enorme favor delas prá gente. Nada contra, mas é preciso lembrar que aeromoças nada mais são do que garçonetes aéreas. Não é prá tirar essa onda toda não, meninas… só não dei os 10% pq não tem 10% prá garçonete aérea (rá!), mas se tivesse…
Chegamos ao aeroporto de Buenos Aires às 13h (14h em Buenos Aires, mesmo horário de Brasília) e, de cara, mais uma escrotice portenha: preencher formulários sobre a gripe suína. Ok, ok, ok, as circunstâncias exigiam, é verdade, mas sabem pq era escroto? Se todo mundo que vai entrar no país terá que preencher essa merda, pq não distribuíram a porra do papel para todas as companhias aéreas? Assim a gente já chegava lá embaixo com a papelada preenchida e assinada. Ou será que eles achavam que o vôo seria tããããããão divertido que a gente não ia nem lembrar daquele negócio? Outra coisa: eles podiam ao menos ter deixado a gente entrar no aeroporto, né? Sério, cara, fomos obrigados a preencher o formulário na pista dos aviões! Com carrinho de malas e ônibus com passageiros passando de um lado para o outro! Se tinha mesa? Claro que não… caneta prá todo mundo? Ha-ha-ha…
Mais uma passagem pelo Free Shop para comprar os nossos perfumes (porra, finalmente algo prá gente e não para os nossos amigos e familiares aproveitadores, ops, queridos) e pronto! Fomos para o hotel Las Naciones, que fica numa parte interessante do Centro de Buenos Aires, a rua dos teatros! Ótimo ponto para quem vai ficar uns dias por lá! E o quarto era enorme! E a cama era muito foda! Ideal para a prática da fo… do amor. Mas antes de conhecer o quarto, conhecemos Nadia… não, não é nada disso que você está pensando, seu depravado!
Nadia era a moça da agência responsável pelo nosso City Tour. Mas Nadia foi responsável também por desfazer a imagem que eu tinha de que os argentinos eram uns babacas, até então plenamente justificada. A moça era super gente boa e deu várias dicas legais, inclusive sobre as melhores lojas ponta de estoque, os melhores lugares para diversão e, também, aqueles lugares que a gente deveria evitar por não serem assim tão… amistosos…
Com essas questões resolvidas, eu e a namorada partimos diretamente para o restaurante mais próximo, já que a fome era sinistra! Só havia um problema: qual era o restaurante mais próximo? Caminhando pelos arredores do hotel, descobrimos o simpático Parrilla Lavalle, onde comemos um belo bife com batatas fritas cada um, totalizando $ 50 (cinqüenta pesos).
Rápida explicação: fazer conversões monetárias na Argentina foi bem mais simples do que no Chile. Com o peso cotado a R$ 0,70 (setenta centavos), era como se cada compra recebesse um belo desconto de 30% (trinta por cento), o que acabou se refletindo no número e no tamanho das bolsas.
E lá fomos nós para a Avenida Córdoba com a expectativa de gastarmos todas as nossas economias pré-férias nos outlets da Nike, Fila, Levi’s, Lee etc… Decepcionante! Os preços não eram lá essas coisas e a gente acabou não comprando nada por lá. Só fomos fazer compras mesmo no outlet da Puma, que não fica na Avenida Córdoba, mas na Av. Niceto Vega, que é paralela à Córdoba. Eu e a namorada achamos que dava para ir andando, afinal a loja ficava na altura do número 6.000 e a gente não parecia tão longe dali (4.000 e pouco). Ledo engano…
Andamos prá caralho, já que, para aproveitar o trocadilho infame (adoro!), a loja da Puma ficava lá na puma-que-pariu! Rápida lição para vocês: os quarteirões das ruas de Buenos Aires são numerados de 100 em 100. Assim, num exemplo simples, um quarteirão que se inicia com o número 02 termina com o número 100. A gente estava na altura do 4.000 e pouco e a loja ficava por volta do número 6.000. Fazendo as contas… andamos prá caralho, como eu disse.
Depois de tanto caminhar, mesmo que não tivesse gostado de nada a gente teria que comprar alguma coisa. Eu, particularmente, tinha um propósito bem claro: comprar uma camisa da Ferrari. Imaginem a decepção quando constatei que a única coisa da Ferrari que tinha prá vender por lá era aquela sapatilha ridícula que os pilotos usam… mas a ida não foi em vão: a namorada gostou de uma bolsa e eu gostei de outra. Comprei as duas por um preço bastante interessante. Uma rápida passagem por uma das milhares de lojas Havana que encontramos por lá para a compra de alfajores para os nossos amigos e familiares aproveitadores, ops, queridos e voltamos para o hotel: de taxi!
Andar de taxi em Buenos Aires é uma ótima opção de transporte. É super barato, cara! Você roda, roda, roda, roda e quando vai ver, a conta deu uma merrequinha. Os carros não são lá grande coisa, mas who cares? Com tanta coisa prá fazer e tantos quilômetros para andar, o importante é ter um meio rápido e barato de se locomover. Não andamos de metrô por lá, por isso não sei dizer se vale a pena.
A noite de nosso primeiro dia (horrível essa…) em Buenos Aires foi dedicada a visitar o lendário Café Tortoni. Se não fosse a Bombonera, esse teria sido tranquilamente o meu programa preferido em terras portenhas! O lugar é a cara de Buenos Aires! Totalmente boêmio, basta eu dizer prá vocês que ninguém mais, ninguém menos que Carlos Gardel era habitué do local! Tanto que existe uma estátua do sujeito no lugar, em companhia dos não menos importantes Jorge Luis Borges e Alfonsina Storni. Acho muito bacana esse negócio de preservar a memória de seus ídolos e os argentinos são imbatíveis nisso!
Lá no Café Tortoni, eu e a namorada fomos atendidos por um garçom que simplesmente não nos deu muita bola. Sério! Como bom argentino, o camarada não fez muita questão de ser simpático com a gente, mas tá beleza, pois ele era eficientíssimo! As coisas simplesmente apareciam na nossa mesa. Pedimos dois mistos e tah-dá, eles surgiam do nada! Pedimos sobremesa e tah-dá, lá estava ela. Passei a viagem inteira pensando numa forma de descrever o gesto feito pelo garçom na hora da entrega dos pratos e somente hoje me ocorreu uma imagem que talvez, de leve, seja capaz de demonstrar o que estou tentando dizer: Gambit, dos X-men, lançando suas cartas pelo ar!
Não lembro quanto deu a conta (coisas que acontecem quando a gente não se dá ao trabalho de anotar certas informações), mas adianto que é um pouco puxado. Nada que vá arrastá-lo para a rua da amargura, mas é aquele caro em termos relativos, sacou? Não, né? É o seguinte, R$ 5.00 é caro? Não, né? Bem, depende do que você estiver comprando. Entendeu agora? Cara, então o problema é contigo…
Algo que me deixou relativamente puto foi a lojinha do Café Tortoni. Se vocês leram o post sobre a parte de Santiago, já devem ter percebido que sou um cara consumista e que adora comprar todo tipo de objeto, ainda mais quando se tem a justificativa de que “pô, eu tô viajando, quando é que eu vou voltar aqui?”. Pois é! Agora imaginem uma miniatura da fachada do Café Tortoni. Eu quis comprar? Claro! Eu comprei? Não! O motivo? É que embora o lugar funcione até altas horas e tenha uma porrada de funcionários circulando o tempo inteiro por todos os lados, a lojinha, justamente a lojinha, aquela parada feita para seduzir turistas otários e loucos para gastar pesos como eu, fecha às 20h. Como já passava das 22h…
Voltamos para o hotel e, antes de dormir, vimos um pouco de televisão. Assistir televisão na Argentina foi uma revelação. Durante nosso passeio do primeiro dia, assim como em todos os passeios que fizemos, constatei que Buenos Aires tem muitas livrarias, muitas mesmo! Bem mais do que no Centro do Rio de Janeiro. Livrarias são, definitivamente, umas das coisas que mais se encontram por lá, junto com lojas de material esportivo, da Havanna e do Freddo. E os argentinos sempre tiveram aquela fama de cultos, né? É porque a televisão deles é uma meeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeerda. Dos trocentos canais de TV disponíveis no hotel, só conseguimos prestar atenção a dois: a MTV (infinitas vezes melhor que a brasileira) e um canal parecido com o Discovery Channel, mas que só passava programas baseados em investigações criminais. De resto, só lixo. Ah, tinha um canal passando uma novela da Globo – senhora do destino, salvo engano – dublada! Muito tosco!
Caímos no sono.
Caí da cama! Não é nada disso que você está pensando. Eu não acordei cedo, caí da cama. Literalmente! É o seguinte: minha namorada, além de muito bonita e muito carinhosa, apesar de magrinha, é também muito espaçosa. Ao longo da noite, ela vai chegando mais e mais para o meu lado, o que acaba me deixando confinado na pontinha do colchão, praticamente uma faixa de gaza do sono. Resultado: quando o despertador tocou e eu virei para desligar…
Mas tudo bem, a gente tinha mesmo que acordar cedo para o City Tour. Antes de sair, uma rápida passagem pelo salão do hotel onde era servido o desjejum. Tudo muito gostoso, com direito a ovos mexidos também. Padrão. Nada que mereça maior atenção.
Nosso guia se chamava Pablo e era um sujeito muito espirituoso. Demos aquele rolézinho básico pela Casa Rosada, tiramos algumas fotos, mas eu, sinceramente, não estava ali. Minha cabeça estava em outro lugar: La Bombonera! As meninas talvez não tenham muita noção disso, mas todo sujeito que gosta de futebol sonha com isso, pisar naquele estádio. É engraçado esse fascínio que a Bombonera exerce sobre nós, pois o estádio em si é até mal ajambrado, feio mesmo. Mas é um local imponente, como só os grandes templos do futebol são.
Minha intenção era fazer a visita guiada ao Museo de La Pasion Boquense, mas naquele momento só deu mesmo para fazer a visita expressa. Até cogitamos voltar no dia seguinte, já que não haveria jogo do Boca Juniors, mas tanto a Nadia como o Pablo disseram que a área não era lá muito segura (basta pensar que o Boca Juniors é o Flamengo da Argentina…), então desistimos. Aliás, deixa eu abrir o parêntese, já que toquei no assunto: se você estiver de passagem por Buenos Aires e quiser fazer a visita ao museu, dê uma conferida para ver se haverá jogo do Boca no estádio. É que quando tem jogo não rola visita, sacou? Para não correr o risco de dar com a cara na porta…
Se eu tivesse feito a visita, teria tido a oportunidade de ver o nome do tio de uma amiga entre os jogadores que fazem a história do Boca Juniors. Pois é! Descobri isso essa semana, conversando com ela sobre a viagem (viu como foi legal atrasar tanto esse post?). A Louise, minha amiga de trabalho, é sobrinha de Orlando Peçanha, que jogou no meu Vasco da Gama, no Santos e no Boca Juniors na década de 1960, além de ter disputado a Copa do Mundo de 1966 pela Seleção Brasileira! Muito maneiro, né?
Não lembro quanto pagamos para visitar o lugar (é vero, eu não anotei o preço de quase nada na Argentina), mas asseguro a vocês que vale cada centavo. Disparado o lugar que eu mais gostei!
Ainda passamos pela lojinha do Clube (não é preciso fazer a visita nem pagar ingresso para ter acesso à loja), mas os preços lá são bem salgados. Se você não fizer questão de ter um produto oficial, vale mais a pena comprar numa da caralhada de lojas dedicadas ao time nos arredores do estádio. Garimpando, dá para encontrar coisas por um preço bem legal. Outra opção é esperar mais um pouquinho e comprar no Caminito, próximo ponto turístico a ser visitado.
É o seguinte. O Caminito é uma favelinha que todo mundo acha linda porque é coloridinha. Como disse o Pablo durante o trajeto para lá, a arquitetura do lugar adotou a linha gótica latina: gótica porque é cheio de goteira, latina porque as casas são de lata. Vale a pena visitar? Sim, vale. Primeiro porque é um ponto turístico e não tem como você voltar de Buenos Aires e dizer que não foi lá, o pessoal vai te olhar meio de lado; segundo porque rende umas fotos muito maneiras. Mas é só. O guia deu uma hora inteira prá gente ficar por lá. Fala sério! Seria bem melhor se ele tivesse me dado uma hora para ficar na Bombonera! E olha que o Pablo é boquense… mas enfim, ficamos rodando as lojinhas atrás de lembranças, mas é tudo muito tosco. Acabei comprando uma camisa do Maradona, mas dei de presente para o Duda, meu cunhado. Tá vendo? Eu sou um cunhado maneiro!
De lá seguimos para os bairros de Puerto Madero, Palermo e Recoleta, que são os bairros chiques de Buenos Aires. A Recoleta é o ponto final do City Tour e lá o guia nos deu duas opções: voltar para o hotel ou ficar por lá passeando. Resolvemos abandonar o grupo e passear por lá. Como já passava de 13h, decidimos almoçar num restaurante muito simpático chamado La Briela, todo decorado com quadros alusivos ao automobilismo! Bem bacana! Uma coisa que achei curiosa é o fato de o lugar cobrar preços diferenciados para quem almoça no salão e quem almoça na varanda (mais caro). Como não estávamos muito a fim de gastar dinheiro desnecessariamente, decidimos almoçar no salão, mas confesso que fiquei com uma ponta de inveja do pessoal que almoçou na varanda, já que, ao contrário do Chile, o clima estava propício para isso.
A sobremesa foi um sorvete de doce de leite no Freddo. Viciei instantaneamente.
Uma rápida passagem pelo cemitério da Recoleta para ver o túmulo de Eva Perón (a mulher é uma estrela até hoje, parece o Jim Morrison!) e zarpamos para a loja da Ferrari, onde comprei minha camisa polo por míseros US$ 35,00! Agora dá para torcer uniformizado, rapá! Logo agora, que a Ferrari tá uma merda… mas enfim, faz parte!
Logo ali perto, vale visitar a Floralis Genérica, uma rosa gigante de metal que funciona com energia solar. Ela fica com as pétalas fechadas durante a noite e vai abrindo ao longo do dia. Bem bacana, mas não prende sua atenção por muito tempo. Minha sugestão é que você tire uma foto e vá logo fazer algo mais interessante. Foi o fizemos: de volta ao hotel, partimos para conhecer alguns pontos turísticos como o obelisco, o Teatro Colón (fechado para obras, infelizmente) e a livraria El Ateneo, que funciona em um lugar que antigamente abrigava um teatro. É enorme! Três andares de livros, CDs e DVDs. Sim, eu poderia morar lá dentro…
Tá achando chato? Tá achando o post longo prá caralho? Pois ainda falta um pouquinho. Seja forte, porra, você já leu até aqui!
O jantar foi em Puerto Madero, o bairro mais chique e seguro de Buenos Aires, conforme nos explicou o Pablo pela manhã. O metro quadrado é caríssimo. Como o próprio nome diz, fica na antiga zona portuária de Buenos Aires e foi completamente repaginado para dar aquela levantada na região. Hoje, além de um cassino, existem vários restaurantes por lá. Escolhemos o Cabaña las Lilas, que é bem chique e bem caro. Gastamos $ 191.00 com o jantar, algo em torno de R$ 140,00 (cento e quarenta reais). Semana passada descobri que o restaurante pertence a uma rede brasileira. Talvez isso explique a cobrança pelo couvert que, até então, havia sido cortesia em todos os lugares por onde passamos…
E o pior é que o jantar não pesou só no bolso. Pesou também no estômago! Completamente inutilizados, voltamos para o hotel e fomos dormir, pois no dia seguinte iríamos fazer o passeio do Rio Tigre con Tren de La Costa.
Vou contar um segredinho prá vocês: É-CHATO-PARA-CARALEO!
A parada é a seguinte: o negócio começa com um passeio de barco pelo delta do Rio Paraná. No início você até incorpora o espírito de turista e vai animado, mas a verdade é que essa empolgação forçada dura uns cinco minutos… logo depois você descobre que o passeio é um saco. Tem até umas casas bonitinhas ao longo do rio, mas a grande maioria é de casas feias e mal cuidadas. De pitoresco mesmo, só os barcos taxi e mercado, que atendem aos moradores das margens do rio.
Encerrada essa etapa da viagem, a gente pega um trem com destino à estação de San Isidro, onde não há porra nenhuma para se fazer! A única atração do local é o Freddo, o que acabou justificando mais um dos inúmeros sorvetes de doce de leite consumidos em terras portenhas. Ah, minto! Tem também uma feira de artesanato super sem graça e cara. Sinceramente? Não entendi a passagem por lá… e o passeio custou $ 95.00 para cada um! Na boa, se tiver a oportunidade de fazer essa parada, NÃO FAÇA!
Era hora de partir para a feira de antiguidades de San Telmo, que é mais um daqueles programas de índio que você só faz porque é turista. Logo que cheguei, percebi um leve equívoco na denominação do evento. Não se trata propriamente de uma feira de antiguidades. É uma feira de coisa velha, o que é muito diferente! Tanto é que eu, o estereótipo perfeito da sociedade consumista, não quis comprar porra nenhuma lá! Consegue imaginar?
Bem, depois disso não é difícil dizer que a parte mais legal do dia foi almoçar no lendário Palacio de La Papa Frita! Recomendo tranquilamente, apesar de uma coisa muito, muito escrota que acontece lá: eles não cobram pelo couvert, ok. Mas cobram pelos talheres! E olha que legal: ao pagar pelos talheres, você ganha de presente o couvert! Rá! Sensacional, né? Mas tudo bem, tudo bem: o bife de chorizo com batatas suflé (um balão de batata frita)…
Encerrado o almoço, numa volta pelas inúmeras lojas de couro da Calle Florida, eu e a namorada acabamos comprando uma jaqueta de couro para mim e um par de botas para ela. Fomos também nas Galerias Pacífico, que são uma espécie de Fashion Mall de Buenos Aires, com várias lojas chiques e caras. Uma pausa para mais um Freddo e voltamos para o hotel, pois era necessário arrumar as malas.
No dia seguinte, voltamos para casa felizes e apaixonados e eu, obviamente, passei perrengue durante todo o trajeto aéreo percorrido.