
Li na Wikipedia dia desses que o primeiro super-herói de que se tem notícia remonta ao ano de 1903 e atendia pelo nome de Pimpinela Escarlate. O único registro internético que encontrei sobre o tal herói dá conta de que ele era um inglês que, na Revolução Francesa, livrou a cara de uma galera durante o período do Terror, que vigorou entre 31.05.1793 e 27.07.1974, até que Robespierre, ex-líder dos Jacobinos, foi capturado e se fodeu, perdendo literalmente sua cabeça na guilhotina. De lá prá cá vários super-heróis nos foram apresentados, sendo que o mais famoso deles apareceu em 1938 e atendia pela alcunha de Superman, aquele sujeito nascido em Kripton e que voa por aí vestindo uma cueca vermelha por cima de uma calça azul nos salvando de todo tipo de ameaça possível e imaginável.
Mas eu te pergunto uma coisa: partindo da premissa segundo a qual super-heróis não existem, se sua vida se encontrasse em perigo real e imediato, a quem você pediria ajuda? Muito provavelmente você nunca pensou nisso antes, não é mesmo? Mas não tema! O Notas sobre o Nada está aqui para te ajudar: CHAME O BRUCE WILLIS!

Em 1985 o mundo conheceu Bruce Willis. É certo que, ainda mal assessorado e sem ter se submetido a um teste vocacional, naquele tempo, nosso herói ainda não tinha real noção de seu verdadeiro potencial, o que o levou a perder quatro anos de sua vida tocando uma agência de detetives chamada Blue Moon ao lado de Cybill Shepherd.
Só que um dia tudo mudou, de modo que hoje é possível trazer ao mundo…
Três argumentos incontestáveis que fazem de Bruce Willis O CARA!
Motivo n.º 1 – Bruce Willis combate terroristas: Era o ano de 1988 e Bruce Willis havia tomado um vôo de Nova York para Los Angeles a fim de passar a noite de Natal com sua família. Por alguma razão que ninguém até hoje se deu ao trabalho de explicar, ao invés de ir imediatamente para casa de sua quase ex-esposa, nosso herói foi conduzido ao seu local de trabalho, o suntuoso Nakatomi Plaza, um imponente edifício de mais de 30 andares que sediava a não menos imponente Nakatomi Co. Talvez tenha sido o destino…
Naquela noite, um grupo de terroristas liderados por Hans Gruber, um alemão estiloso que curtia maquetes quando criança e comprava ternos John Phillips em Londres, invadiu o prédio e tomou todos os funcionários como reféns em plena festa de fim de ano da empresa. O objetivo? Roubar US$ 640 milhões em ações negociáveis que se encontravam no cofre mega-ultra-super-protegido da corporação.
Bruce, após presenciar a execução sumária de Joseph Yashinobo Takagi, o fodão da Nakatomi Co., decide que algo precisa ser feito e começa a matar, um a um, cada integrante daquela organização criminosa. E isso é feito no melhor estilo old-school, já que Willis, como bem definiu Thomas Gabriel, um dos criminosos que ele encontrou em Duro de Matar 4.0, “é um relógio de corda numa era digital”.
Bruce Willis não mediu esforços na tentativa se salvar os inúmeros reféns em poder dos terroristas: simulou um incêndio no prédio para atrair os bombeiros e a polícia; matou bandidos na base da porrada; jogou um cadáver em cima do carro da polícia e metralhou o veículo para chamar atenção; explodiu o prédio utilizando os detonadores encontrados na mochila de um dos seqüestradores; enforca um dos terroristas em uma corrente e o deixa pendurado como uma peça de carne no açougue; atira para afastar os reféns do telhado do prédio prestes a explodir enquanto eles aguardam a chegada do resgate; se joga do telhado amarrado a uma mangueira de incêndio no momento exato em que tudo vai pelos ares…
Enfim, o sujeito simplesmente infernizou a vida dos caras.
Acontece que, em um determinado momento, Hans descobre que a ex-mulher de Willis é uma das funcionárias da Nakatomi Co. e a faz, digamos assim… uma super-refém. Aí fodeu…
Mesmo estando todo arrebentado, nosso ídolo parte em busca de sua amada (sim, eles estão separados, mas Bruce ainda a ama). É quando ele constata uma coisa: só existem duas balas em sua arma e restam 3 terroristas no caminho… E agora entra em cena uma característica indispensável a qualquer super-herói: carisma! Afinal, como fazer para se livrar de 3 terroristas quando você só tem duas balas? Não fosse isso o bastante, o que fazer quando, além de só ter dois projéteis no revólver e 3 bandidos pela frente, sua esposa amada é usada como escudo por um deles?
Carisma, meus caros, carisma… o primeiro delinqüente vai embora na porrada mesmo, já que é preciso poupar munição. Logo depois, Bruce se depara com a cena desesperadora: sua esposa em poder de Hans Gruber, que aponta uma arma para sua cabeça enquanto, do outro lado da sala, um de seus comandados aponta uma metralhadora para Bruce.
Diante da morte iminente, qualquer um de nós teria cagado suas próprias calças e começado a chorar com uma mulherzinha implorando por clemência, mas não ele! Bruce, joga sua metralhadora ao chão e, olhando nos olhos de seus possíveis algozes conta uma piada e cai na gargalhada. Contagiada pelo bom humor infalível do grande policial nova-iorquino, a bandidagem começa a rir também e, em uma fração de segundo, nosso herói saca a arma presa com fita adesiva em suas costas, atira na cabeça de comparsa de Hans, grita para que o objeto de sua paixão se abaixe e acerta um novo tiro em Gruber que, ferido, agarra-se a refém e cai da janela. Alguns momentos de tensão até que Bruce solte a pulseira do relógio de sua esposa e deixe o terrorista fodão se esborrachar no chão.
Todos vão para casa e não resta dúvida: Bruce é o cara!
Bem, se a essa altura você ainda não estiver convencido disso, é hora do…
Motivo n.º 2 – Bruce Willis salva o Mundo: Ok, a Nakatomi Co. é uma pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos e a mulher do cara estava entre os reféns. Talvez isso seja motivo suficiente para que algum incrédulo afirme: ele só fez isso porque tinha algum interesse pessoal envolvido.
O que dizer então de um sujeito que salva o mundo da extinção?
Pois bem, estava Bruce lá em sua plataforma de petróleo no meio do oceano, tomando conta de sua filha Liv Tyler no meio de um monte de marmanjos que praticamente nunca vêem mulher, quando um enviado especial do governo norte-americano aparece para levá-lo até a NASA.
É o seguinte: alguns meteoros ingressaram na atmosfera do planeta e provocaram uma mini-destruição em Nova York. Preocupadas com essa porra, as autoridades resolvem averiguar o que é que está pegando e descobrem que o Hubble tirou algumas fotos daquilo que acabou sendo batizado como Global Killer, que nada mais é do que um meteoro do tamanho do estado do Texas vindo em direção à Terra e que, em caso de choque, o que ocorrerá em 18 dias, provocaria o fim do mundo. Sim, o armageddon se aproxima!
Os planos da NASA são bastante simples: enviar uma equipe de astronautas até o tal meteoro e perfurá-lo em uma profundidade suficiente para enchê-lo de explosivos que, uma vez detonados, provocarão a sua bipartição, alterando sua rota e evitando a colisão daquele monstro de pedra com o nosso querido planeta. Como Bruce é um petroleiro muito do sinistro, neguinho não titubeou na hora de pensar em um nome para treinar a equipe: claro, ele!
Só que o cara dá uma olhada no naipe da galera, dá aquela coçada no nariz, uma olhada para o chão… já viu, né? Bruce percebeu que aquele time de astronautas é, na verdade, um bando de manes que vão fazer um monte de cagada quando estiverem lá em cima. Ciente de que somente a sua equipe é capaz de fazer o trabalho direito, nosso exemplo de vida sugere: vocês se importariam se ao invés de mandar esse monte de otários para o espaço, eu e a minha equipe, que nunca participamos de um único treinamento de astronauta na vida e não fazemos a menor noção de como se portar nesse tipo de situação, fossemos até lá fazer o serviço?
É óbvio que se essa pergunta partisse de mim ou de você a resposta seria negativa. Mas o pessoal da NASA não é bobo, cara… eles tinham visto o estrago que esse cara fez com o pessoal do Nakatomi Plaza… e foi assim que Bruce partiu para salvar o mundo!
É importantíssimo lembrar que essa missão, que já seria difícil para caralho de qualquer forma, fica sensivelmente mais escrota diante da presença de Ben Affleck entre os membros da equipe de Bruce. Pior, em um determinado momento dos acontecimentos, alguém lembra que o Ben Affleck é O MELHOR MEMBRO DA EQUIPE. Como é possível concluir, não é exagero afirmar que Bruce Willis está sozinho nessa porra…
A essa altura você deve estar pensando: ah, porra… mais uma vez ele tinha um motivo pessoal para agir.
E se eu te disser que deu uma merda fodida lá em cima e os caras chegaram à conclusão de que somente com o sacrifício de um dos membros da equipe seria possível concluir a missão? E se eu lembrar que, tirando a sorte no palitinho, o escolhido para morrer foi o Ben Affleck e, mesmo assim, o Bruce optou por manter esse merda vivo e ir lá sozinho detonar a porra da bomba? Pois é, meu caro, Bruce deu sua vida para que todos tenham vida. Isso te lembra alguém?
Esses dois motivos já seriam suficientes para provar que Bruce Willis é o cara, mas o fato que me fez ter certeza disso, o acontecimento que escancarou meus olhos para a verdade intocável, o evento que trouxe luz para esse mundo até então desprovido de seres superiores foi algo extremamente mundano: a necessidade de tirar o próprio ânus da reta.
Senhoras e senhores, é com orgulho inenarrável que vos apresento o…
Motivo n.º 3 – Bruce Willis sabe como se livrar de uma roubada: Pulp Fiction está rolando e chega a hora de Willis subir ao ringue. Bruce está prestes a participar de uma luta de boxe, mas não se trata de uma luta comum. Trata-se, na verdade, de uma luta forjada, organizada pelo temível Marsellus Wallace, um negão gigantesco e muito poderoso que planeja ganhar uma grana preta com o fraudulento evento esportivo ora mencionado. Nosso herói perderá a luta intencionalmente e Marsellus, já ciente do resultado que se aproxima, ganhará uma grana considerável apostando em seu adversário.
A notícia de que a luta é fraudulenta chega de alguma forma à organização do evento que, por sua vez, ao invés de cancelar a luta, resolve simplesmente aumentar consideravelmente o prêmio em caso de vitória de Bruce. Diante disso, nosso ídolo, em conluio com terceiros, aposta uma grana boa em si mesmo e, pasmem, vence a luta. Vencer a luta, no caso, é um eufemismo. Ele simplesmente mata o seu oponente de tanto lhe enfiar a porrada. E faz isso sem constrangimento algum. Quando sai a notícia da morte de seu adversário, Bruce limita-se a dizer: “se não tivesse colocado as luvas ainda estaria vivo”.
Não preciso nem dizer que Marsellus Wallace ficou puto e começou uma verdadeira caçada ao cara, não é mesmo? Bem, por uma dessas ironias da vida, Bruce e Wallace acabam se cruzando na rua e, após uma perseguição, os dois entram em uma loja de armas, onde caem na porrada até serem devidamente imobilizados pelo dono do estabelecimento, que passa a mão no telefone e liga para Zed, um policial maluco que manda na região.
Bruce e Marsellus estão imobilizados. O dono da loja de armas e Zed resolvem levar Marsellus para outra sala enquanto Bruce fica sob a vigilância de Gismo, uma espécie de escravo sado-masoquista que usa mascara e roupa de couro com tachinhas. Em um exemplo de agilidade, Willis consegue se soltar e mete a porrada em Gismo, partindo em direção à porta da frente para iniciar sua fuga. Só que, no meio do caminho, o sujeito se lembra: “Perae, porra! O cara que tá lá dentro quer me matar. Se eu voltar lá e salvá-lo, talvez ele me deixe em paz…”.
É a senha para Bruce sacar uma espada samurai e voltar até a sala onde Marsellus está sendo literalmente enrabado por Zed! Bruce mata o dono da loja e deixa que Marsellus, já livre da sodomia a que vinha sendo submetido naquele momento, cuide de Zed. Após anunciar que “utilizará métodos medievais” com o rabo de Zed, Wallace libera Bruce de sua dívida sob a condição de:
1. Nunca contar a ninguém sobre o que ele acabara de ver; e
2. Sair imediatamente da cidade.
E é exatamente o que ele faz.
Agora eu te pergunto: é ou não é o cara?